O HOMEM DO FUTURO
A busca incessante dos homens por uma perfeição imaginária tem prendido-os dentro de mitos que os escravizam e tiram a sua essência humanística; cada vez mais, os seres humanos tornam-se artificiais: manipulados pela busca de uma medíocre e temporária satisfação proporcionada pela aquisição de bens materiais, que em sua maioria, sendo desnecessários, somente contribuem para a sua total desgraça, pois lhes incitam a compreender a vida como um mero jogo onde todos são adversários e o objetivo primaz de cada participante é sempre a vitória, independente das regras e do respeito ao próximo; jogo esse onde o fator determinante do sucesso é o ter, desmerecendo por completo o ser.
Na Grécia clássica, Sócrates já falara sobre a importância da vida no período compreendido como antropológico, suas idéias sobre a ética, democracia, justiça, cidadania e o amor, já convidavam aos homens a serem menos donos de si próprio, e mais pertencentes ao seu próximo. Essa supervalorização do ser humano propagada por Sócrates, não se dá a partir do poder, nem tão pouco a partir da sua vida financeira; é algo intrínseco que cabe a cada ser humano buscar, uma busca que requer um sacrifício: o sacrifício de entender que todos os homens são iguais, independente das suas diferenças particulares; sacrifício esse que após superado, abrirá espaço para que os homens suportem as suas aflições, aceitem as suas limitações e assumam seus sentimentos: os três primeiros passos para a sua compreensão, não só como ser orgânico, mas também psíquico, espiritual e ambiental.
A espécie humana corre um grande perigo: o da artificialidade, a busca por uma imagem tem destruído a essência dos homens. A tal racionalidade que os diferenciava dos demais animais, cada dia mais vem se tornando extinta, dando lugar ao individualismo e a auto-realização; o mundo globalizado diz aproximar os indivíduos, mas aproximá-los de que? Já que cada vez mais, numa maior intensidade, o homem tem se afastado de si próprio. Sem duvidas o resgate do humanismo é uma tarefa que deve partir dos próprios indivíduos, a partir do seu reconhecimento como ser imperfeito e necessitado do próximo, ser que não somente constitui o mundo, mas que principalmente, é constituído por ele.