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A CONDIÇÃO HUMANA


LIMITAÇÕE HUMANAS

A CONDIÇÃO HUMANA

Os seres ditos humanos caminham cegamente rumo ao ócio. É difícil compreender a essência da natureza humana numa sociedade determinista, cuja doutrina primaz nos ensina que todo homem tem direito á liberdade e aprisiona os mesmos dentro de um sistema político primitivo que utiliza se da fragilidade econômica dos indivíduos para impô-los a margem de uma instituição alto democrática que não contribui sequer com a dignidade dessas vítimas, oferecendo- lhes o mínimo de oportunidade e perspectiva de evolução.
Ao invés de ir a campo e estudar as causas que propiciariam um melhor desenvolvimento humanístico, uma minoria elitizada e detentora do tão almejado poder político, prende-se em seus castelos de areia (que um dia ira se desfazer) e determinam, atendendo prioritariamente aos seus próprios interesses, o rumo dessas vidas inocentes. Mas você pode estar se perguntando: o que há de inocente nos indivíduos vitimados pelos abutres do poder? ; primeiro, o fato da inconsciencitude que se aplica a massa da população, pois se deixam alienar por uma droga chamada Mídia, que emburrece aos indivíduos negando-lhes o mínimo de conhecimento e empilhando-os de informações inúteis e desnecessárias á aplicação do cotidiano; aquém de manipula-los quanto a decisão a tomar e estrutura de vida a seguir, ou seja, enquanto a escola tenta educar os seus jovens, a Mídia os dês- culturizam, limitando-os a exercer o mínimo possível da sua capacidade intelectual. Aproveitando a brecha, cabe a mim expor o segundo fator que justificaria a inocência da população junto aos absurdos da sociedade; a educação, ou melhor, as instituições de ensino brasileiras, indiferentemente da natureza dessas instituições, se públicas ou privadas, uma enfermidade assola tais organizações: o descaso em transmitir um conhecimento de qualidade e em sua essência, para tornar os seus receptores cidadãos planetários. Segundo Morin¹, os indivíduos devem ser revelados em sua totalidade, pois antes de ser sistematizado, ou seja, fragmentado, ele compõe e é composto pelo ambiente do qual deriva e é derivado, tendo como dever preserva-lo. É impossível conhecer o todo sem analisar as suas partes, assim comoé inadmissível que se conheça as partes e negue-se o todo.
Compreender o ser humano é como limita-lo a uma porção ínfima da sua condição natural, cada indivíduo carrega e é carregado por um planeta indefinível, cuja compreensão transcede qualquer conhecimento terreno; é impossível prever os seus atos e justificar as suas ações. A condição humana limitava-se a capacidade de comunicação e sensibilidade dos homens; hoje essa capacidade não mais se atribui aos mesmos, pois um estreito laço se forma entre os países detentores do poder e aqueles explorados para justificar a riqueza dos ditos desenvolvidos. A sensibilidade, a cada dia mais, torna-se um atributo extinto da capacidade humana, que preocupasse mais com a aquisição de capital financeiro do que com o capital intelectual. Anualmente, milhões de jovens e crianças morrem desnutridos ou vítimas da violência, conseqüência da miséria; morrem, pois alguém precisa pagar as dívidas do seu país, pois alguém ( nesse caso os milhões de inocentes) precisa ser sacrificado para satisfazer a ânsia de sangue dos administradores megalomaníacos.
Contudo, uma superficial superioridade paira sobre as nações, que vêem na ciência a magnitude do homem sobre o seu meio; porém, mesmo detendo o conhecimento necessário á materialização dos seus caprichos e, segundo eles, do bem-estar da sociedade, o ser humano não consegue dominar, tampouco conhecer o mínimo (ou talvez o máximo): a si próprio. O conhecimento do Eu vai além de compreender a sua estrutura biológica ou os seus fatores químicos; é compreender a sua ligação espiritual com o seu próximo e ver dentro de si o planeta o qual vive e faz parte, é encontrar as suas raízes e entender que não existe limites para uma cabeça e um indivíduo bem-feitos.
A vulnerabilidade dos seres humanos os torna indivíduos superficiais, que transportam suas visões á aquilo que melhor atenda ás suas necessidades; quando necessário, o homem identifica-se como um ser mecânico ou humanístico, pois há uma dificuldade por parte dos mesmos em assumir uma postura ideológica e aplica-la ao seu cotidiano. Constantemente o homem aprisiona-se em equívocos resultantes da incapacidade fundamental que ele tem de comunicar-se com os outros, e também consigo mesmo, como nos descreve Milan kundera².


¹ Morin, Edgar. A cabeça bem feita: repensar a reforma-reformar pensamento.
² Kundera, Milan. Risíveis amores.